Editado por Fernando Zamith, Pedro Jerónimo e Ricardo Morais, e publicado pela Editora Labcom da Universidade da Beira Interior, o livro “Notícias Algorítmicas: Ciberjornalismo, IA e Ecossistemas Digitais” reúne sete estudos sobre o impacto da inteligência artificial e das plataformas digitais no jornalismo atual.
- 1 — A propaganda invisível nos media albaneses: IA ao serviço da análise de conteúdo político
- 2 — “Follow the Link”: desinformação socioambiental e circulação em apps de mensagens no Brasil
- 3 — Mercado de notícias e inteligência artificial: impactos nos modelos de negócio do jornalismo
- 4 — As potencialidades da inteligência artificial na construção de informação jornalística geolocalizada
- 5 — 7Montes: do nascimento ao fim de um cibermeio em desertos de notícias
- 6 — Memes e jornalismo: o caso do Intercept Brasil e as lições para a educação mediática
- 7 — Acessibilidade digital nas redes sociais: hábitos de consumo e desafios para públicos com deficiência visual
Notícias Algorítmicas combina investigação e estudos de caso sobre temas do jornalismo digital: propaganda algorítmica, desinformação, modelos de negócio, informação geolocalizada, desertos de notícias, literacia mediática e acessibilidade digital.
1 — A propaganda invisível nos media albaneses: IA ao serviço da análise de conteúdo político
Este capítulo apresenta um estudo sobre a influência política nos media na Albânia. Os autores analisaram a plataforma Newslab, um sistema baseado em IA que integra tecnologias antiplágio para monitorizar automaticamente as semelhanças textuais entre comunicados de imprensa oficiais e notícias publicadas nos media.
Resultados principais:
- Foram analisados 294 artigos publicados em 45 meios de comunicação, num período de 20 dias em torno das eleições locais de maio de 2023;
- Nos dez maiores media do país, a taxa de semelhança entre os comunicados da Câmara Municipal de Tirana e as notícias publicadas variou entre 93% e 99,5%;
- Os autores concluem que este padrão evidencia um sistema de produção de conteúdos sem participação jornalística real, reforçado pela influência económica das agências de relações públicas.
2 — “Follow the Link”: desinformação socioambiental e circulação em apps de mensagens no Brasil
Num contexto marcado por degradação ambiental e lobbying corporativo, este capítulo analisa a circulação de desinformação sobre questões socioambientais através do WhatsApp e do Telegram no Brasil.
O que o estudo revelou:
- Foram identificados 3.803 sítios partilhados em 467 grupos de extrema-direita no WhatsApp e em 136 grupos e canais no Telegram, entre janeiro de 2023 e março de 2024;
- Os sítios foram classificados em categorias, incluindo junk news e desinformação, com avaliação do respetivo alcance junto das audiências;
- As autoras identificam riscos concretos de construção de perceções erróneas junto do público, nomeadamente em matérias ambientais.
3 — Mercado de notícias e inteligência artificial: impactos nos modelos de negócio do jornalismo
A partir de uma extensa revisão bibliográfica, este capítulo examina de que forma a inteligência artificial está a transformar os modelos de negócio das empresas jornalísticas.
Temas abordados:
- Desafios éticos associados à adoção da IA no jornalismo;
- Oportunidades de inovação e as suas implicações sociais;
- A utilização de ferramentas de IA em diferentes etapas da produção jornalística;
- A dependência crescente das plataformas digitais e o seu impacto na sustentabilidade económica.
4 — As potencialidades da inteligência artificial na construção de informação jornalística geolocalizada
Este capítulo explora as possibilidades de articulação entre o ciberjornalismo e a inteligência artificial na construção de um sistema de memória geolocalizada urbana — capaz de aprender com os problemas quotidianos das cidades a partir dos dados gerados pelos próprios cidadãos.
Pontos essenciais:
- A IA pode contribuir para a construção de local knowledge a partir do armazenamento de dados recorrentes sobre acontecimentos urbanos;
- Os utilizadores já produzem narrativas geolocalizadas através de redes sociais e aplicações de mensagens, dados que o ciberjornalismo ainda não aproveita plenamente;
- Os autores alertam para preocupações éticas, nomeadamente em matéria de transparência e fiabilidade na geração de conteúdos por IA.
5 — 7Montes: do nascimento ao fim de um cibermeio em desertos de notícias
Este capítulo apresenta um estudo de caso sobre o 7Montes, um jornal digital criado em janeiro de 2024 para dar resposta às fragilidades informativas da região de Trás-os-Montes, em Portugal.
O percurso do 7Montes:
- Nasceu com apoio europeu, através do programa Local Media for Democracy do Journalism Fund Europe, com um financiamento de 30.000 euros atribuído em outubro de 2023;
- Produziu conteúdos originais de qualidade, com cobertura geográfica equilibrada da região e forte enfoque identitário, durante a fase de atividade regular (fevereiro a junho de 2024);
- Após uma existência de cerca de nove meses de atividade regular, o projeto transitou para uma presença pontual.
6 — Memes e jornalismo: o caso do Intercept Brasil e as lições para a educação mediática
Recorrendo à análise crítica do discurso multimodal, este capítulo investiga como o The Intercept Brasil (TIB) utiliza memes como instrumento de ciberjornalismo pedagógico, a partir de um corpus de 97 memes produzidos entre 2018 e 2025.
O que a investigação revela:
- Os carrosséis de memes do TIB funcionam como “mini-dossiês” capazes de condensar investigação, contextualização temporal e interpretação moral em até dez diapositivos;
- O formato fomenta a literacia do público e redireciona o tráfego para reportagens mais extensas;
- A aceleração da produção de memes traz riscos: trivialização, clubismo confirmatório e compressão da reflexão crítica;
- O veículo, sustentado maioritariamente por doações, demonstra que produtos visuais de alta circulação podem funcionar como porta de entrada para assinaturas e crowdfunding.
7 — Acessibilidade digital nas redes sociais: hábitos de consumo e desafios para públicos com deficiência visual
O capítulo centra-se nas barreiras que os utilizadores com deficiência visual enfrentam no acesso às plataformas de redes sociais.
Metodologia e resultados:
- O estudo recorreu a grupos focais para explorar a experiência destes públicos nos processos de acesso, interação e envolvimento nas redes sociais;
- O formato audiovisual, dominante nestas plataformas, constitui uma barreira significativa para as pessoas com deficiência visual;
- O escasso uso de recursos de acessibilidade por parte das organizações e dos produtores de conteúdo é identificado como um problema de comunicação estrutural.
Consulte o documento na íntegra abaixo e aceda a mais informação no site do LabCom.
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