O OberCom publicou o relatório “Impacto da IA Generativa no acesso a jornais” — um estudo centrado na realidade portuguesa sobre a forma como ferramentas de IA estão a transformar o consumo de notícias.
A investigação envolveu 10 utilizadores e 78 pesquisas realizadas em setembro de 2025, com o objetivo de explorar de que modo as notícias de destaque de um determinado dia são apresentadas em três espaços: ChatGPT, Gemini e o motor de busca da Google.
O problema central: a IA que ninguém pediu
A funcionalidade AI Overview, integrada por defeito no motor de busca da Google, gera resumos automáticos no topo dos resultados — antes de qualquer link para uma publicação noticiosa. Ao contrário do ChatGPT ou do Gemini, esta IA é involuntária: o utilizador não a escolhe a priori.
Dados exploratórios citados no relatório mostram quedas significativas no tráfego para os jornais quando estes resumos estão presentes: -47,5% em desktop e -37,7% em mobile.
Num setor que depende em grande parte da publicidade online, estas tendências representam um risco direto à sustentabilidade financeira dos editores.
Pontos-chave do relatório
🔹 A IA Generativa passa por jornalismo — os textos gerados são frequentemente indistinguíveis de notícias produzidas por jornalistas.
🔹 O ChatGPT é o espaço mais estruturado: apresenta imagens, links e fontes identificadas, mas revela falhas de contextualização.
🔹 O Gemini não apresenta qualquer fonte ou link — o que promove uma postura mais passiva no utilizador.
🔹 O motor de busca tradicional da Google (sem AI Overview) foi o espaço que melhor direcionou os utilizadores para notícias atualizadas, exigindo uma curadoria ativa.
🔹 O AI Mode, lançado em outubro de 2025, pode migrar utilizadores do motor de busca para um ambiente de IA Generativa.
🔹 A diversidade temática dos sumários de IA pode satisfazer leitores que procuram apenas manchetes, sem necessidade de aceder às publicações originais.
🔹 Os custos ambientais de uma pesquisa com IA Generativa são 10x superiores aos de uma pesquisa tradicional — uma dimensão ainda pouco debatida publicamente.
Considerações finais
🔸 A IA Generativa não é, por si só, inimiga do jornalismo, mas cria condições estruturais que ameaçam a viabilidade económica das publicações digitais.
🔸 A diminuição de visualizações é o risco mais imediato e com maior evidência empírica.
🔸 A passividade dos utilizadores tende a aumentar em sistemas de pergunta-resposta, especialmente quando não são apresentadas fontes identificadas.
🔸 As empresas de media devem monitorizar ativamente as alterações na visibilidade das suas publicações nos motores de busca e adaptar as suas estratégias.
🔸 Apostar no “slow journalism” (reportagens, conteúdos de autor) e em canais diretos com os leitores (newsletters, WhatsApp) são caminhos apontados pelo relatório.
O relatório apela a estudos futuros centrados nos utilizadores portugueses e, em particular, ao acompanhamento do impacto da AI Overview nas publicações nacionais.
Consulte o documento na íntegra abaixo e aceda a mais informação no site do OberCom.
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