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Estudos e Tecnologia

Future Newsrooms Study 2026: o que os dados revelam sobre o futuro das redações

2 de Junho de 2026

O Future Newsrooms Study 2026 é um relatório produzido pela FT Strategies, em parceria com a WAN-IFRA, com o apoio da Arc XP, e foi apresentado publicamente hoje no 77º World News Media Congress, em Marseille, França.

Metodologia

O relatório examina de que forma as organizações de notícias estão a redefinir a sua estratégia editorial, a relação com as audiências e as capacidades das suas redações.

A questão central que orienta o estudo é a seguinte: como estão as organizações de media a definir, proteger e operacionalizar o seu valor editorial numa era de abundância de conteúdo?

  • 448 respondentes em 86 países
  • 377 respostas completas + 71 respostas parciais
  • 45 perguntas distribuídas por 7 temáticas
  • 16 entrevistas qualitativas com líderes editoriais e executivos
  • 10 membros num conselho consultivo composto por especialistas editoriais, de inovação, produto e inteligência artificial
  • 1 workshop com 20 editores de 8 países e 4 continentes

A amostra inclui redações de todas as dimensões — desde pequenas (menos de 25 colaboradores) a muito grandes (mais de 500) — e abrange organizações fundadas antes de 1990 e as nativas digitais. A maioria dos respondentes ocupa cargos de liderança editorial ou executiva.

O relatório organiza as suas conclusões em torno de quatro fossos críticos que separam o que as redações declaram querer ser daquilo que efetivamente fazem.

1. Estratégia

A maioria das redações afirma ter uma estratégia. O problema está na execução.

O que os dados revelam:

  • Apenas 32% das redações apresentam alinhamento estrutural;
  • 25% das redações são predominantemente reativas: as prioridades editoriais são determinadas pelos acontecimentos imediatos;
  • 42% apresentam um alinhamento laxo: a estratégia informa as prioridades gerais, mas as decisões diárias são tomadas de forma independente pelos editores.

O que isto significa:

  • Redações com alinhamento estrutural são as que mais frequentemente realizam revisões anuais ou contínuas do seu portefólio;
  • 50% das redações que reveem e descontinuam iniciativas sistematicamente registaram crescimento orçamental, face a apenas 28% das que raramente o fazem;
  • 64% das redações ainda desenvolvem histórias para um canal primário (website, imprensa, televisão) e adaptam-nas para outros — apenas 21% começam com uma necessidade de audiência definida.

2. Confiança das audiências

As redações reconhecem a importância de construir confiança com as suas audiências, mas as suas formas de trabalhar dificultam essa construção.

O que os dados revelam:

  • Os jornalistas passam 38% do seu tempo em tarefas de produção (escrita, edição, publicação);
  • Apenas 11% do tempo é dedicado a trabalho pós-publicação — como envolvimento comunitário, resposta a audiências e revisão de desempenho.

Formatos e abordagens narrativas prioritárias:

  • 79% planeiam produzir mais vídeos de formato curto
  • 74% vão apostar em explainers (peças explicativas)
  • 72% irão investir em texto aprofundado
  • 63% em conteúdo visual, interativo e de dados
  • 51% em eventos ao vivo e fóruns de audiência
  • 51% em newsletters

Implicação para as redações: O jornalismo que constrói confiança não é apenas aquele que informa — é aquele que explica, contextualiza e cria comunidade. As redações que continuam a medir o sucesso apenas pelo volume de publicações estão a subinvestir nas atividades que constroem relações com as audiências.

3. Capacidades e tecnologia

A adoção de inteligência artificial e a modernização tecnológica estão a ser travadas não pela tecnologia em si, mas pelas pessoas e pelos processos.

O que os dados revelam:

  • Apenas 14% dos líderes de redação afirmam ter muita ou plena confiança de que as suas ferramentas e tecnologia atuais estão preparadas para as necessidades futuras;
  • 20% não têm qualquer confiança;

  • Os três principais obstáculos à adoção de IA são:
    • 61% — Falta de competências ou conhecimentos internos
    • 52% — Resistência cultural ou ceticismo
    • 45% — Casos de uso pouco claros ou ausência de orientação estratégica

  • 57% das redações não têm representação de IA na redação — e são também as que registam os níveis mais baixos de literacia e utilização de IA;
  • Das 22% de redações com equipas de IA integradas na redação, quase metade (46%) reporta elevada literacia e utilização de IA.

O principal KPI de sucesso da IA nas redações:

  • 42% medem o sucesso da IA pela poupança de tempo
  • Apenas 10% medem pelo impacto no volume de conteúdo
  • 9% pelo impacto nas receitas
  • 21% ainda não definiram KPIs

Implicação para as redações: Investir em tecnologia sem investir nas pessoas que a vão usar é desperdiçar recursos. A formação estruturada em IA — específica para o contexto jornalístico, não genérica — é um diferenciador crítico.

4. Competências gerais

O jornalismo do futuro exige um conjunto de competências mais amplo, mas as redações não estão a investir na sua construção.

O que os dados revelam:

  • 55% das redações consideram que as suas competências atuais são suficientes para alcançar os objetivos presentes;
  • Este número cai para 39% quando projetado para um horizonte de três anos;
  • 61% das redações não têm programas de formação;
  • Das redações que pretendem desenvolver capacidades criativas internas (creator-style journalism), 68% ainda não desenvolveram competências para tais.

Competências mais valorizadas para o futuro:

1️⃣ Jornalismo e tecnologia: jornalismo computacional, prompting de IA;

2️⃣ Envolvimento com audiências: monitorização de tendências, otimização de conteúdo, distribuição multiplataforma;

3️⃣ Produção e edição multimédia: edição de vídeo, animação, edição de som;

4️⃣ Expertise temática: jornalismo de nicho, especialização por área;

5️⃣ Gestão e operações: gestão de projetos, competências comerciais.

Conclusões transversais: o que distingue as redações mais preparadas

O relatório identifica um conjunto de padrões que caracterizam as redações melhor posicionadas para o futuro:

🔹 Alinhamento estratégico-editorial: a estratégia é comunicada regularmente e refletida nas decisões editoriais do dia a dia;

🔹 Disciplina de portefólio: revisão regular e descontinuação de iniciativas de baixo impacto;

🔹 IA integrada na redação: não apenas ao nível executivo ou de suporte, mas diretamente nas equipas editoriais;

🔹 Formação estruturada: programas de desenvolvimento de competências específicos, não genéricos;

🔹 Foco na audiência: o conteúdo é definido pelas necessidades do público, não pelo canal onde será publicado.

Consulte mais informação em detalhe sobre o Future Newsrooms Study 2026 no site do FT Strategies.

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