O OberCom – Observatório da Comunicação divulgou o Digital News Report Portugal 2026, o décimo segundo relatório anual da série.
- Sobre o relatório
- Principais destaques
- 1. Dinâmicas de influência no ecossistema mediático
- 2. Atitudes e perceções face ao Serviço Público de Media
- 3. Influenciadores e criadores de conteúdos
- 4. Confiança em notícias
- 5. Perceções sobre desinformação
- 6. Relação com as notícias e os hábitos informativos
- 7. Fontes, acesso e os formatos noticiosos
- 8. Pagamento por notícias
- 9. Marcas de notícias
Sobre o relatório
O OberCom colabora com o Reuters Institute for the Study of Journalism na elaboração do questionário global e nacional, bem como na análise e interpretação final dos dados relativos a Portugal.
O trabalho de campo decorreu entre 6 de janeiro e 20 de fevereiro de 2026. Tal como em edições anteriores, os autores alertam para a possibilidade de os dados apresentarem possíveis vieses motivados pela agenda mediática do período, salientando, neste caso, a forte atenção dos media às Eleições Presidenciais de janeiro e fevereiro de 2026.
Principais destaques
1. Dinâmicas de influência no ecossistema mediático
Os portugueses preferem fontes percebidas como neutras, sem procurar de forma ativa o contraditório. Reconhecem de forma alargada a influência de governo, políticos, proprietários de meios e anunciantes sobre a cobertura noticiosa, mas essa perceção varia segundo o tema, a idade, os recursos sociais e a orientação política.
2. Atitudes e perceções face ao Serviço Público de Media
O Serviço Público de Media mantém uma legitimidade social robusta em Portugal, com 53% de avaliações positivas sobre o seu impacto no país — um dos melhores resultados entre os mercados analisados, atrás apenas da Noruega, Finlândia e Suécia. As críticas concentram-se sobretudo na perceção de influência política e na falta de pluralismo, e não na existência do serviço.
3. Influenciadores e criadores de conteúdos
Os criadores de conteúdos já integram as rotinas informativas de 40% dos portugueses, ainda que com intensidade inferior à média global. O fenómeno é sobretudo geracional, atingindo 71% entre os 18-24 anos, e funciona como complemento às marcas jornalísticas tradicionais, valorizado pela proximidade e acessibilidade mais do que pela confiança ou autoridade editorial.
4. Confiança em notícias
Portugal mantém-se entre os países com maior confiança em notícias, com 51% face a uma média global de 37%, mas a série temporal mostra uma erosão clara desde 2015, quando o valor era de 66%. A confiança é socialmente desigual, varia com a idade, o rendimento, a escolaridade e a orientação política, e é mais baixa em ambientes digitais intermediados, como as redes sociais (21%).
5. Perceções sobre desinformação
A preocupação com a desinformação intensificou-se em 2026: 76% dos portugueses dizem estar preocupados com o que é real e falso na Internet, acima da média global de 62%. Este sentimento é mais forte entre quem confia nas notícias (85%) do que entre quem não confia (69%), e aumenta com a idade, a escolaridade e o rendimento.
6. Relação com as notícias e os hábitos informativos
O interesse por notícias caiu de cerca de 70% entre 2015 e 2018 para 50% em 2025/2026, enquanto o evitamento ativo subiu de 22% para 37% no mesmo período. A participação noticiosa é sobretudo discreta e interpessoal, e a conectividade digital permanente não se traduz em atenção contínua às notícias.
7. Fontes, acesso e os formatos noticiosos
A televisão continua a ser a fonte mais usada e a principal fonte de notícias em Portugal, com 71% de utilização e 59% de preferência como fonte principal — o valor mais elevado entre os 48 mercados analisados. No acesso digital, as redes sociais tornaram-se em 2026 a principal via de entrada (28%), superando os motores de busca (27%) e o acesso direto (18%).
8. Pagamento por notícias
Apenas 8% dos portugueses pagaram por notícias online no último ano, um valor claramente abaixo da média global de 17% e sem consolidação ao longo do tempo desde o pico de 17% registado em 2021. O pagamento é mais comum entre homens jovens, e 68% das subscrições assentam em formas contínuas de pagamento, dirigidas principalmente a marcas jornalísticas estabelecidas.
9. Marcas de notícias
No universo televisivo, a SIC Notícias (48%), a SIC (42%), a CNN Portugal (40%) e a TVI (38%) liderem a utilização tradicional, com a CMTV a apresentar a maior aproximação entre audiência online e offline. Na imprensa, o Correio da Manhã lidera a utilização tradicional (23%), enquanto o Público e o Expresso registam os maiores níveis relativos de utilização digital face à tradicional.
Descarregue o relatório completo no site oficial do OberCom e consulte também a edição internacional do Digital News Report aqui.
Leia mais sobre Estudos e Tecnologia.
World Press Trends 2025–2026: leitura executiva para o mercado português
A WAN-IFRA (World Association of News Publishers) divulgou o seu relatório anual de referência, o World Press Trends Outlook 2025-2026,…
Digital News Report 2026: o que revela sobre Portugal
O Reuters Institute for the Study of Journalism divulgou a 15.ª edição do Digital News Report, um estudo internacional de…
Inteligência artificial e comunicação social: Portugal não pode ficar fora
Artigo de Vítor Almeida – Membro da Direção da Associação Portuguesa de ImprensaDia 1 de junho, A.G. Sulzberger, publisher do…
Future Newsrooms Study 2026: o que os dados revelam sobre
O Future Newsrooms Study 2026 é um relatório produzido pela FT Strategies, em parceria com a WAN-IFRA, com o apoio…
Notícias Algorítmicas: um olhar sobre IA e ciberjornalismo
Editado por Fernando Zamith, Pedro Jerónimo e Ricardo Morais, e publicado pela Editora Labcom da Universidade da Beira Interior, o…
Novo livro do LabCom analisa o impacto da IA e
“Plataformização e Inteligência Artificial no Jornalismo: práticas e reconfigurações” reúne investigadores de Portugal, Brasil e Espanha numa leitura integrada das…







