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Notícias

OberCom publica nova edição do Digital News Report Portugal

18 de Junho de 2026

O OberCom – Observatório da Comunicação divulgou o Digital News Report Portugal 2026, o décimo segundo relatório anual da série.

Sobre o relatório

O OberCom colabora com o Reuters Institute for the Study of Journalism na elaboração do questionário global e nacional, bem como na análise e interpretação final dos dados relativos a Portugal.

O trabalho de campo decorreu entre 6 de janeiro e 20 de fevereiro de 2026. Tal como em edições anteriores, os autores alertam para a possibilidade de os dados apresentarem possíveis vieses motivados pela agenda mediática do período, salientando, neste caso, a forte atenção dos media às Eleições Presidenciais de janeiro e fevereiro de 2026.

Principais destaques

1. Dinâmicas de influência no ecossistema mediático

Os portugueses preferem fontes percebidas como neutras, sem procurar de forma ativa o contraditório. Reconhecem de forma alargada a influência de governo, políticos, proprietários de meios e anunciantes sobre a cobertura noticiosa, mas essa perceção varia segundo o tema, a idade, os recursos sociais e a orientação política.

2. Atitudes e perceções face ao Serviço Público de Media

O Serviço Público de Media mantém uma legitimidade social robusta em Portugal, com 53% de avaliações positivas sobre o seu impacto no país — um dos melhores resultados entre os mercados analisados, atrás apenas da Noruega, Finlândia e Suécia. As críticas concentram-se sobretudo na perceção de influência política e na falta de pluralismo, e não na existência do serviço.

3. Influenciadores e criadores de conteúdos

Os criadores de conteúdos já integram as rotinas informativas de 40% dos portugueses, ainda que com intensidade inferior à média global. O fenómeno é sobretudo geracional, atingindo 71% entre os 18-24 anos, e funciona como complemento às marcas jornalísticas tradicionais, valorizado pela proximidade e acessibilidade mais do que pela confiança ou autoridade editorial.

4. Confiança em notícias

Portugal mantém-se entre os países com maior confiança em notícias, com 51% face a uma média global de 37%, mas a série temporal mostra uma erosão clara desde 2015, quando o valor era de 66%. A confiança é socialmente desigual, varia com a idade, o rendimento, a escolaridade e a orientação política, e é mais baixa em ambientes digitais intermediados, como as redes sociais (21%).

5. Perceções sobre desinformação

A preocupação com a desinformação intensificou-se em 2026: 76% dos portugueses dizem estar preocupados com o que é real e falso na Internet, acima da média global de 62%. Este sentimento é mais forte entre quem confia nas notícias (85%) do que entre quem não confia (69%), e aumenta com a idade, a escolaridade e o rendimento.

6. Relação com as notícias e os hábitos informativos

O interesse por notícias caiu de cerca de 70% entre 2015 e 2018 para 50% em 2025/2026, enquanto o evitamento ativo subiu de 22% para 37% no mesmo período. A participação noticiosa é sobretudo discreta e interpessoal, e a conectividade digital permanente não se traduz em atenção contínua às notícias.

7. Fontes, acesso e os formatos noticiosos

A televisão continua a ser a fonte mais usada e a principal fonte de notícias em Portugal, com 71% de utilização e 59% de preferência como fonte principal — o valor mais elevado entre os 48 mercados analisados. No acesso digital, as redes sociais tornaram-se em 2026 a principal via de entrada (28%), superando os motores de busca (27%) e o acesso direto (18%).

8. Pagamento por notícias

Apenas 8% dos portugueses pagaram por notícias online no último ano, um valor claramente abaixo da média global de 17% e sem consolidação ao longo do tempo desde o pico de 17% registado em 2021. O pagamento é mais comum entre homens jovens, e 68% das subscrições assentam em formas contínuas de pagamento, dirigidas principalmente a marcas jornalísticas estabelecidas.

9. Marcas de notícias

No universo televisivo, a SIC Notícias (48%), a SIC (42%), a CNN Portugal (40%) e a TVI (38%) liderem a utilização tradicional, com a CMTV a apresentar a maior aproximação entre audiência online e offline. Na imprensa, o Correio da Manhã lidera a utilização tradicional (23%), enquanto o Público e o Expresso registam os maiores níveis relativos de utilização digital face à tradicional.

Descarregue o relatório completo no site oficial do OberCom e consulte também a edição internacional do Digital News Report aqui.

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