A atualização tarifária prevista para fevereiro de 2026 volta a penalizar a imprensa em papel, com aumentos superiores à inflação, contrariando compromissos públicos de defesa do jornal impresso.
A Associação Portuguesa de Imprensa (API) tomou conhecimento da atualização dos preços dos serviços postais dos CTT – Correios de Portugal, com entrada em vigor a 3 de fevereiro de 2026, abrangendo quer o Serviço Postal Universal quer os restantes serviços postais, incluindo serviços complementares e de correio publicitário.
De acordo com a informação transmitida pelos CTT, esta atualização decorre do Convénio de Preços para o triénio 2026-2028, celebrado entre a Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM), a Direção-Geral do Consumidor e os CTT, e assenta na necessidade de mitigar os efeitos da inflação e da queda continuada do tráfego postal. A variação média global do cabaz de serviços abrangidos pelo Convénio é fixada em +6,20% para 2026, com aumentos diferenciados nas várias linhas do serviço universal.
No que respeita ao Correio Editorial, os CTT indicam aumentos de +5,5% para Jornais e Publicações Periódicas de âmbito nacional e de +5,7% para envios internacionais, valores que, apesar de inferiores à média global do cabaz, representam um agravamento significativo dos custos de distribuição da imprensa em papel.
A API considera que esta atualização tarifária é particularmente preocupante no atual contexto do setor. Nos últimos anos, os preços postais praticados pelos CTT têm registado aumentos sucessivos que, de forma consistente, superam a taxa de inflação registada em Portugal no mesmo período, agravando estruturalmente os encargos das empresas de comunicação social.
| Ano | Aumento médio dos preços CTT – Jornais, Publicações Periódicas – Diários e Semanários | Inflação média anual em Portugal (IPC) |
| 2024 | ~5,57% (fevereiro de 2024) | ≈2,4% |
| 2025 | ~4,15% (fevereiro de 2025) | ≈2,3% |
| 2026 | ~5,5% (aumento previsto para fevereiro de 2026) | ~proj. 2,0–2,2% (inflação prevista/estimada) |
A Associação sublinha a incongruência entre, por um lado, a defesa pública da imprensa em papel e, por outro, a aplicação de aumentos tarifários desta magnitude, que fragilizam ainda mais a sustentabilidade económica dos editores.
Sem prejuízo do reconhecimento da importância do programa promocional Pack Editorial e do apoio concedido no âmbito do Acordo Editorial, a API entende que estas medidas não compensam o impacto acumulado das sucessivas atualizações dos preços postais.
Neste contexto, a Associação Portuguesa de Imprensa informa que irá expor esta situação junto do Ministro da Presidência Dr. António Leitão Amaro, bem como junto da ANACOM, defendendo a necessidade de uma abordagem regulatória e política que assegure condições efetivas para a sobrevivência e continuidade da imprensa em papel em Portugal.
Consulte o tarifário completo e leia mais nos artigos abaixo.

