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Prémios APImprensa 2026 distinguem seis contributos para o jornalismo português

Hoje às 8:23

Universidade do Minho, Agência Lusa, OberCom, Visão, Razão Automóvel e Albérico Fernandes foram os distinguidos nos Prémios APImprensa 2026, entregues a 16 de outubro, no Palacete Gomes Freire, em Lisboa, durante as comemorações do Dia Nacional da Imprensa.

A Associação Portuguesa de Imprensa (API) voltou a reconhecer instituições, projetos e personalidades cujo trabalho contribui para valorizar o jornalismo e fortalecer a comunicação social portuguesa. Do ensino superior à inovação editorial, passando pela investigação, pela cooperação entre entidades do setor e pela preservação do património jornalístico, as seis distinções sublinham diferentes contributos para o presente e o futuro da imprensa.

A entrega dos Prémios APImprensa 2026 integrou um encontro dedicado ao tema “Confiança, Inovação e Sustentabilidade no Jornalismo”, que reuniu profissionais, responsáveis de empresas de comunicação social, representantes institucionais e parceiros do setor.

Prémio Ensino Superior – Universidade do Minho

A Universidade do Minho foi distinguida pelo seu contributo para a formação e a investigação em Ciências da Comunicação, promovendo o pensamento crítico e uma compreensão aprofundada dos desafios do jornalismo.

Neste percurso, destaca-se o trabalho do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS), que tem reforçado a ligação entre a investigação académica e a realidade dos media, produzindo conhecimento relevante para os profissionais e para o debate público.

Com o Prémio Ensino Superior, a API reconhece o papel da Universidade do Minho na qualificação de sucessivas gerações de profissionais e na valorização de um jornalismo livre, informado e preparado para responder às transformações do setor.

Ana Paula Marques, presidente do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, recebe o Prémio APImprensa Ensino Superior das mãos de Nuno Francisco e Ricardo Flamínio

Prémio Parceria – Agência Lusa

A Agência Lusa recebeu o Prémio Parceria pelo seu papel essencial no panorama informativo português e pela colaboração desenvolvida com a Associação Portuguesa de Imprensa.

O protocolo celebrado em 2024 criou condições mais favoráveis de acesso aos serviços informativos da agência para os associados da API, com particular importância para a imprensa regional. Esta cooperação contribui para reforçar a capacidade de resposta dos meios de proximidade e para valorizar a diversidade e a qualidade da informação disponibilizada às populações.

Num contexto de fortes desafios económicos e tecnológicos, a distinção reconhece uma parceria que coloca a cooperação ao serviço do jornalismo e do pluralismo informativo.

Joaquim Carreira recebeu o prémio em representação da Agência Lusa, das mãos de Vítor Almeida e Luís Mendonça

Prémio Promoção da Imprensa – OberCom

O OberCom – Observatório da Comunicação foi distinguido pelo trabalho de investigação e análise que tem desenvolvido sobre os media em Portugal, contribuindo para uma reflexão fundamentada sobre as transformações do setor.

A colaboração com entidades internacionais, como o Reuters Institute, e a participação em iniciativas como o Iberifier têm permitido aprofundar o conhecimento sobre o consumo de notícias, a desinformação e a evolução do ecossistema digital.

Ao atribuir o Prémio Promoção da Imprensa, a API reconhece a importância deste trabalho para compreender as relações entre o jornalismo e os seus públicos e para apoiar decisões que contribuam para um setor mais informado, inovador e sustentável.

O prémio foi recebido por Vania Baldi, em representação do OberCom, e entregue por João Alves e Almeida e Carlos Eugénio

Prémio Património Editorial – Visão

A revista Visão recebeu o Prémio Património Editorial pelo lugar de referência que ocupa na imprensa portuguesa e pelo seu contributo para uma sociedade mais informada.

Ao longo de décadas, a publicação afirmou uma identidade editorial assente na qualidade da informação, no jornalismo de investigação e na atenção aos temas que marcam a vida coletiva.

A distinção reconhece também a resiliência dos profissionais que, perante dificuldades e desafios, continuam empenhados em preservar o projeto editorial. Valorizar este património significa reconhecer o trabalho das suas equipas, preservar a memória coletiva e defender a diversidade informativa e o jornalismo comprometido com o interesse público.

Rui Tavares Guedes recebeu o prémio em representação da Visão, das mãos de Rui Silva Lopes e Francisco Alves Rito

Prémio Projeto Inovador – Razão Automóvel

A Razão Automóvel foi distinguida pela capacidade de desenvolver um projeto editorial adaptado ao ambiente digital, conjugando informação especializada, proximidade aos públicos e rigor jornalístico.

Fundada em 2012 por Guilherme Costa e Diogo Teixeira, a publicação nasceu com o objetivo de tornar a informação automóvel mais acessível. Desde então, alargou a sua presença nas plataformas digitais e alcançou reconhecimento internacional, nomeadamente nos International Motor Film Awards.

Com uma equipa de 14 profissionais e mais de um milhão de leitores mensais no seu website, segundo os elementos apresentados na cerimónia, a Razão Automóvel demonstra o potencial da inovação editorial e da aposta em diferentes formatos para desenvolver audiências e reforçar a sustentabilidade de um projeto jornalístico.

Miguel Dias recebeu o prémio em representação da Razão Automóvel. A entrega esteve a cargo de Paulo Ribeiro e do ministro da Presidência, António Leitão Amaro

Prémio Carreira de Excelência – Albérico Fernandes

O Prémio Carreira de Excelência distinguiu Albérico Fernandes, que devotou toda a sua vida à comunicação social e conhece como ninguém todos os seus setores, todas as suas linguagens, desde a rádio à imprensa, desde a televisão ao digital, desde o ensino à impressão.

Albérico Fernandes recebeu o prémio das mãos da presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, Cláudia Maia, e de Francisco Pedro Balsemão

Tinha 23 anos quando ingressou na área do jornalismo e das empresas de comunicação social, através do jornal “Novidades” e da “União Gráfica”. Em 1972, a convite da administração da Rádio Renascença, passa a dirigir a programação, assumindo de seguida o cargo de diretor de Informação e de Programas até 1981, apenas interrompido pela ocupação da Emissora Católica em 1975, nesse período de desmandos do frenesi revolucionário.

Em 1981, é convidado para assessor do então Primeiro Ministro, Francisco Pinto Balsemão, e, em 1983, é nomeado administrador da Radiotelevisão Portuguesa com o pelouro dos Programas e da Informação. Em 1985 é desafiado por Francisco Pinto Balsemão para administrador da Sojornal (proprietária do Expresso), da Imprejornal e de vários jornais, designadamente a “A Capital”, o “Blitz” e o “Jornal da Região”. É mais tarde convidado para a Direção de Relações Institucionais do Grupo Impresa, o que implicou contactos com órgãos de soberania, reguladores e outros operadores da comunicação social.

Foi presidente da Confederação de Meios e integra ou integrou os corpos sociais das mais representativas associações e empresas do setor, como a Agência Notícias de Portugal, a APCT, o OBERCOM, a MAPINET e a API – Associação Portuguesa de Imprensa, entre outras.
Foi fundador e diretor da cooperativa de direitos de autor, VISAPRESS.

É membro do conselho consultivo da ERC e fez parte do Secretariado da Comissão da Carteira Profissional de Jornalistas desde a sua fundação e durante 20 anos. Foi um dos coordenadores dos trabalhos de microfilmagem e digitalização dos conteúdos do “Dicionário Jornalístico Portuguez”, uma obra única que abarca todas as publicações periódicas editadas desde 1625 até 1889.

Em março de 2011, numa parceria do Grupo Impresa com a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa, lançou o primeiro curso de pós-graduação em jornalismo multiplataforma, de que foi coautor, dirigente e professor.

Mercê da sua larga e multifacetada experiência, tem uma visão holística da comunicação social, o que se percebe facilmente em qualquer contacto consigo, ainda que breve. Nem sempre é maduro porque perfilha o verde, indelevelmente verde, quando se trata do vinho do seu concelho natal, Monção, onde nasceu em 1942. Essa região vinca profundamente a sua identidade e levou-o à presidência da Casa do Minho em Lisboa.

Sempre foi uma pessoa frontal e exigente sem ser deselegante; colaborante sem ser subserviente; leal sem ser cúmplice, e nunca sacrificou o rigor da informação e a independência da comunicação social face a qualquer outro poder. Ao cabo de uma longa carreira, Albérico Fernandes não pretende ser mais do que o poliglota da comunicação social, deixando marcas inapagáveis da sua personalidade e saber ao longo do trajeto pessoal e profissional.