A presidente da Associação Portuguesa de Imprensa considera que o diálogo e a cooperação entre os diferentes intervenientes da comunicação social são fundamentais para encontrar respostas aos desafios económicos e tecnológicos do setor. No balanço do Dia Nacional da Imprensa 2026, Cláudia Maia destacou a importância de transformar a reflexão em soluções concretas para a sustentabilidade do jornalismo.
A necessidade de reforçar a união entre os órgãos de comunicação social e de encontrar soluções para os desafios que ameaçam a sustentabilidade do jornalismo foi uma das principais mensagens deixadas por Cláudia Maia, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa (API), no balanço do Dia Nacional da Imprensa 2026.
Realizado a 16 de outubro, no Palacete Gomes Freire, em Lisboa, o encontro reuniu representantes da imprensa nacional, regional e local, responsáveis de grupos de comunicação social, especialistas e representantes institucionais, sob o tema “Confiança, Inovação e Sustentabilidade no Jornalismo”.
Para a presidente da API, a iniciativa demonstrou a importância de criar espaços de diálogo num setor marcado por desafios comuns, mas onde nem sempre existe uma cultura de cooperação.
“Nós não somos, enquanto setor, muito unidos. Trabalhamos muito isoladamente e estes momentos fazem falta”, afirmou.

O diálogo como ponto de partida para encontrar soluções
A sustentabilidade económica, a transformação digital, a inteligência artificial e a valorização dos conteúdos jornalísticos estiveram entre os principais temas discutidos durante o encontro.
Cláudia Maia reconheceu a complexidade dos problemas enfrentados pelos órgãos de comunicação social, defendendo, contudo, que a identificação de soluções exige persistência, diálogo e capacidade de intervenção.
“Não há soluções perfeitas, não há milagres, mas acreditamos que o falar sobre o assunto, debater o assunto, propor soluções, é um caminho para que essas soluções existam”, sublinhou.
A reflexão surge num contexto de transformação dos modelos de negócio do jornalismo, marcado pela crescente influência das plataformas tecnológicas, pelas alterações no consumo de informação e pelas dificuldades económicas que afetam diferentes segmentos da imprensa portuguesa.
Para a Associação Portuguesa de Imprensa, a criação de oportunidades de encontro entre os vários intervenientes constitui uma componente importante da resposta a estes desafios.

Uma oportunidade para aproximar diferentes realidades da imprensa
A participação de responsáveis de grupos nacionais, representantes da imprensa regional e especialistas permitiu reunir perspetivas distintas sobre o presente e o futuro da comunicação social.
Apesar das diferenças entre os projetos editoriais, Cláudia Maia destacou a existência de um objetivo partilhado: garantir condições para a continuidade de um jornalismo independente e sustentável.
“Todos queremos o mesmo, nós todos queremos o futuro e a sustentabilidade do setor. E hoje aconteceu isso, foi uma oportunidade única para termos toda a gente a falar a mesma língua”, considerou.
Esta aproximação assume particular relevância para os órgãos de comunicação social regionais e locais, cuja atividade desempenha um papel essencial na informação de proximidade, no pluralismo e na coesão territorial.

Da reflexão à concretização de medidas
O Dia Nacional da Imprensa 2026 ficou também marcado pela intervenção do Ministro da Presidência, António Leitão Amaro, que apresentou compromissos relacionados com o acesso aos serviços da Agência LUSA, a distribuição de jornais e revistas, a publicidade e a valorização dos conteúdos jornalísticos utilizados por sistemas de inteligência artificial.
Nos dias seguintes ao encontro, foram conhecidos novos desenvolvimentos em algumas destas matérias, incluindo a formalização de apoios à comunicação social regional e a adjudicação do concurso de distribuição de imprensa.
Embora persistam desafios e medidas por concretizar, Cláudia Maia identificou sinais de evolução no debate sobre a sustentabilidade da comunicação social.
“Há alguma coisa a acontecer no setor da imprensa para garantir a sua sustentabilidade”, afirmou.
A concretização das medidas anunciadas e a sua capacidade de responder às necessidades das empresas jornalísticas serão determinantes para avaliar os resultados deste processo.

Reforçar o papel agregador da Associação Portuguesa de Imprensa
Para além das intervenções e dos debates, o Dia Nacional da Imprensa proporcionou momentos de convívio e aproximação entre profissionais e responsáveis de diferentes órgãos de comunicação social.
A iniciativa refletiu, assim, uma das dimensões centrais da missão da API: promover a cooperação, representar os interesses do setor e contribuir para a valorização de uma imprensa livre, plural e independente.
O balanço de Cláudia Maia reforça a importância de manter este diálogo para além do encontro anual, criando condições para que as preocupações identificadas se traduzam em propostas e respostas efetivas.
Num momento de profundas transformações, a mensagem deixada pela presidente da Associação Portuguesa de Imprensa aponta para um desafio coletivo: aproximar o setor, reforçar a sua capacidade de intervenção e construir soluções que garantam o futuro do jornalismo português.

