A sustentabilidade económica, a inteligência artificial e os desafios da imprensa regional estiveram em destaque no encontro promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa. A edição de 2026 contou com a presença do Ministro da Presidência, António Leitão Amaro, e reuniu responsáveis da comunicação social nacional e regional.
O futuro da comunicação social portuguesa esteve em discussão no Dia Nacional da Imprensa 2026, realizado a 16 de outubro, no Palacete Gomes Freire, em Lisboa. Promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa (API), o encontro reuniu responsáveis de órgãos de comunicação social, profissionais do setor, representantes institucionais e parceiros estratégicos.
Sob o tema “Confiança, Inovação e Sustentabilidade no Jornalismo”, a iniciativa teve como principais momentos o Grande Debate “O Futuro dos Media Portugueses”, a intervenção do Ministro da Presidência, António Leitão Amaro, a homenagem ao legado de Francisco Pinto Balsemão e a entrega dos Prémios API 2026.
Para a presidente da API, Cláudia Maia, o encontro demonstrou a importância de criar oportunidades de diálogo entre os diferentes intervenientes da comunicação social.
“Não há soluções perfeitas, não há milagres, mas acreditamos que o falar sobre o assunto, debater o assunto, o propor soluções, é um caminho para que essas soluções existam”, afirmou, no balanço da iniciativa.

Sustentabilidade e transformação digital em debate
O Grande Debate “O Futuro dos Media Portugueses”, moderado por Carla Ascenção, reuniu Carlos Eugénio, da VISAPRESS, Nuno Francisco, diretor do Jornal do Fundão, James Hewes, consultor estratégico para os media, Carlos Rodrigues, da MediaLivre, e Ricardo Costa, do Grupo Impresa.
A discussão abordou a sustentabilidade económica dos órgãos de comunicação social, as condições de concorrência com as plataformas tecnológicas, os direitos dos editores e os desafios específicos da imprensa regional e local.
A necessidade de diversificar receitas, valorizar os conteúdos jornalísticos e encontrar novos modelos de negócio esteve presente nas diferentes intervenções.

Governo apresentou medidas para o setor
A participação do Ministro da Presidência, António Leitão Amaro, foi outro dos momentos de destaque. O governante abordou medidas destinadas a apoiar a sustentabilidade da comunicação social, incluindo a redução dos custos de acesso aos serviços da Agência LUSA, a modernização das regras da publicidade e a remuneração dos conteúdos jornalísticos utilizados por sistemas de inteligência artificial.
No balanço da intervenção, Cláudia Maia reconheceu a existência de sinais positivos, embora tenha ressalvado que persistem desafios.
“Há alguma coisa a acontecer no setor da imprensa para garantir a sustentabilidade do setor”, considerou.

Homenagem a Francisco Pinto Balsemão e entrega dos Prémios API
O encontro incluiu uma homenagem ao legado de Francisco Pinto Balsemão, através de uma intervenção de Francisco Pedro Balsemão, que destacou a importância da inovação, da rentabilidade e da independência editorial, no contexto do Prémio Inovação na Imprensa que leva o seu nome.
A cerimónia dos Prémios API 2026 distinguiu a Universidade do Minho, a Agência LUSA, o OBERCOM, a revista Visão, a Razão Automóvel e Albérico Fernandes, reconhecendo diferentes contributos para o desenvolvimento e a valorização da imprensa portuguesa.

“Trabalhamos muito isoladamente e estes momentos fazem falta”
No balanço da edição de 2026, Cláudia Maia destacou a oportunidade de reunir representantes da imprensa nacional e regional, reguladores e parceiros estratégicos em torno de preocupações comuns.
“Nós não somos, enquanto setor, muito unidos. Trabalhamos muito isoladamente e estes momentos fazem falta”, afirmou.
“Todos queremos o mesmo, nós todos queremos o futuro e a sustentabilidade do setor. E hoje aconteceu isso, foi uma oportunidade única para termos toda a gente a falar a mesma língua”, acrescentou.
O Dia Nacional da Imprensa 2026 contou com a VISAPRESS como parceiro estratégico e com o apoio da MediaLivre e da Delta Cafés, reforçando o compromisso da Associação Portuguesa de Imprensa com a promoção do diálogo e da cooperação entre os diferentes agentes da comunicação social.

