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IA e futuro do jornalismo marcam encerramento das Jornadas Técnicas da Imprensa Regional 2026

22 de Junho de 2026

A terceira e última sessão das Jornadas Técnicas da Imprensa Regional 2026 decorreu no passado dia 19 de junho, no Museu da Vila Velha, em Vila Real, reunindo profissionais para uma reflexão sobre o impacto da inteligência artificial no jornalismo e os desafios que se colocam à comunicação social.

Promovida pela Associação Portuguesa de Imprensa (API), a iniciativa encerrou um ciclo que passou anteriormente pelo Fundão e por Lisboa, consolidando-se como um espaço de formação, partilha de conhecimento e debate sobre os principais temas que marcam o presente e o futuro dos media.

Apoio do Município de Vila Real

A sessão contou com o apoio do Município de Vila Real, que gentilmente cedeu o espaço para a realização do evento. Durante a manhã, o presidente da Câmara Municipal de Vila Real, Alexandre Favaios, fez questão de marcar presença na iniciativa, saudando os participantes e destacando a importância da comunicação social para a sociedade portuguesa, com particular relevância para o papel desempenhado pela imprensa regional e local na proximidade às comunidades.

Apresentações dos oradores

Ao longo da manhã, os participantes tiveram oportunidade de acompanhar diferentes perspetivas sobre a transformação digital dos media e o impacto da IA nas redações.

Ana Santos Gomes, da DECO PROteste, partilhou a experiência da organização na utilização de ferramentas de inteligência artificial aplicadas ao trabalho editorial, dando a conhecer alguns dos desafios e oportunidades que estas tecnologias representam para os meios de comunicação social.

Anabela Carvalho, chefe de redação do jornal O Gaiense, apresentou um conjunto de exemplos práticos de inovação editorial e proximidade com as comunidades. A responsável destacou a estratégia desenvolvida pelo jornal ao longo de mais de duas décadas de atividade em Vila Nova de Gaia, bem como os diversos eventos e iniciativas que têm contribuído para reforçar a ligação entre o órgão de comunicação social e a comunidade local, criando novas oportunidades de envolvimento dos leitores e de sustentabilidade para o projeto editorial.

Um dos momentos mais aguardados da sessão foi a intervenção de Hugo Paredes, professor catedrático da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e investigador coordenador do INESC TEC, que abordou a importância da supervisão humana na utilização da inteligência artificial.

Para Hugo Paredes, é fundamental compreender o funcionamento dos algoritmos e garantir que existe sempre intervenção humana nos processos de decisão. O investigador defendeu a necessidade de maior explicabilidade, documentação e transparência dos sistemas de inteligência artificial, permitindo aos profissionais compreender melhor as ferramentas que utilizam e assegurar que a tecnologia permanece ao serviço das pessoas. O especialista considerou ainda que estes momentos de contacto com os profissionais dos media são fundamentais para aproximar a investigação académica das necessidades reais do setor.

A encerrar o programa esteve Jacinto Godinho, jornalista, autor e realizador da RTP, que destacou a importância de promover encontros centrados na realidade prática das redações. O jornalista considerou que este tipo de iniciativas contribui para reforçar a comunidade jornalística e criar espaços de reflexão conjunta sobre os desafios que os meios de comunicação enfrentam atualmente.

Na sua intervenção, alertou ainda para o impacto da desinformação e para os riscos associados à utilização acrítica da inteligência artificial, defendendo que o jornalismo deve continuar a afirmar-se através da transparência, da responsabilização e da presença humana. Jacinto Godinho sublinhou que a confiança continua a ser o principal ativo do jornalismo e que os profissionais e órgãos de comunicação social devem reforçar a sua proximidade junto dos leitores, valorizando a autoria e a credibilidade da informação produzida.

Balanço da Direção da API

No encerramento da sessão, Cláudia Maia, presidente da Direção da API, fez um balanço muito positivo desta edição das Jornadas Técnicas. A responsável destacou a qualidade dos debates realizados ao longo do dia e a importância de discutir não apenas as potencialidades da inteligência artificial, mas também os seus riscos e limitações.

Para Cláudia Maia, uma das principais conclusões da sessão prende-se com o valor da proximidade e da autenticidade que caracterizam o trabalho dos meios de comunicação social, em particular da imprensa regional.

“Isso a inteligência artificial não consegue fazer. Têm de ser os meios regionais, os nacionais também, mas sobretudo os meios regionais e locais é que têm essa capacidade. Conhecem o seu leitor melhor que ninguém e sabem dar ao seu leitor aquilo que ele precisa” — afirmou.

A presidente da API considerou ainda que a edição de Vila Real foi uma “aposta ganha”, reforçando a importância de descentralizar estas iniciativas e promover o contacto direto com os profissionais e órgãos de comunicação social em diferentes regiões do país.

Com o encerramento da edição de 2026, as Jornadas Técnicas da Imprensa Regional afirmam-se como uma iniciativa de referência na capacitação dos profissionais do setor, promovendo o debate sobre inovação, sustentabilidade e transformação digital dos media portugueses.

Reveja todas as edições das Jornadas Técnicas no nosso canal de Youtube, assim como, na Área Associado, consulte as apresentações dos oradores. Leia outros artigos relacionados no carrossel abaixo.