A Associação Portuguesa de Imprensa assinala hoje 66 anos. Em 1960, quando a APImprensa foi fundada, o jornalismo era já um ato de coragem. Hoje, mais de seis décadas depois, continua a sê-lo, por razões diferentes mas com a mesma urgência.
São 66 anos de uma história de resistência, de compromisso e de convicção. Uma história feita por gerações de editores, jornalistas, publicações e empresas que, em contextos muito diferentes, sempre souberam que sem imprensa livre, plural e sustentável não há cidadania plena, nem democracia robusta.
É com esse espírito que nos dirigimos a todos os associados.
O período que a imprensa hoje atravessa é talvez dos mais desafiantes das últimas décadas. Vários fatores convergiram para transformar profundamente o ecossistema informativo: a crise de sustentabilidade do setor, a erosão das receitas, a pressão das plataformas digitais e a alteração profunda dos hábitos de consumo. A estes juntam-se a desinformação, a concentração, a desertificação mediática em muitos territórios e o avanço da inteligência artificial, colocando novas ameaças a quem produz jornalismo com responsabilidade editorial.
O enfraquecimento da imprensa significa, inevitavelmente, o enfraquecimento do escrútinio público, da transparência e da coesão democrática. Não é exagero afirmá-lo: é uma constatação que a história, em Portugal e no mundo, confirma repetidamente.
Mas este aniversário não é apenas momento de diagnóstico. É, acima de tudo, um momento de reafirmação.
A APImprensa – e esta Direção em particular – assumiu, desde o primeiro dia, um compromisso claro: trabalhar para uma Associação mais presente, mais combativa, mais útil aos associados e mais influente na defesa do setor. Fê-lo com um rumo assente em eixos de atuação que continuam plenamente atuais: reforçar a representatividade da Associação, promover a inovação e a transição digital, diversificar fontes de receita, valorizar a imprensa regional e local, aprofundar a notoriedade institucional da API e garantir uma voz ativa e respeitada junto dos decisores públicos e dos parceiros nacionais e internacionais.
Ao longo deste percurso, fomos afirmando posições, abrindo debate público, apresentando propostas concretas e recusando a resignação perante o declínio. Colocámos no centro da agenda temas decisivos para o futuro da imprensa: a necessidade de políticas públicas consistentes, a revisão dos incentivos do Estado ao setor, o apoio à modernização tecnológica, a valorização da literacia mediática, o combate à pirataria, o incentivo à subscrição, a revisão da publicidade institucional do Estado e a urgência de medidas que travem a asfixia da imprensa regional. Defendemos, com clareza, que a informação rigorosa é um bem público essencial e que o seu financiamento não pode continuar a ser tratado como assunto marginal.
Temos também razões para reconhecer o caminho já feito. A APImprensa ganhou voz, presença e capacidade de intervenção. Reforçou o seu posicionamento público. Trouxe para o debate temas que durante demasiado tempo foram ignorados. Manteve-se próxima dos associados. Trabalhou para criar pontes, representar sensibilidades diversas e afirmar uma visão estratégica para o setor. E fê-lo sem perder de vista aquilo que mais importa: defender a imprensa em toda a sua diversidade – nacional, regional, local, especializada, em papel e no digital.
Sabemos, no entanto, que muito permanece por fazer.
Continuaremos a bater-nos pela regulamentação efetiva da publicitação das deliberações das autarquias locais, medida fundamental para a transparência democrática e para a sustentabilidade da imprensa regional. Continuaremos a exigir transparência e equidade na distribuição da publicidade institucional do Estado, a defender incentivos reais à inovação, à formação e à contração. Continuaremos a lutar por condições de concorrência mais justas face às grandes plataformas digitais e por um enquadramento que proteja o valor do conteúdo jornalístico. Em suma, continuaremos a travar as batalhas que são indispensáveis para que o jornalismo profissional não recue onde mais faz falta.
Fazemo-lo porque acreditamos profundamente no papel da imprensa. Não apenas como setor económico, mas como instituição essencial da vida democrática. A imprensa informa, esclarece, investiga, questiona, liga comunidades, preserva memória, dá contexto e combate a indiferença. Nos territórios onde desaparece um jornal, uma rádio ou uma publicação, não desaparece apenas uma empresa: perde-se proximidade, pluralismo, vigilância democrática e voz cívica. Esta é uma causa coletiva. E é uma causa que merece ser defendida com determinação e sem ambiguidades.
Neste dia, queremos também deixar uma palavra de reconhecimento e de gratidão a todos os associados. Aos que resistem em contextos especialmente difíceis. Aos que continuam a investir, a inovar e a acreditar. Aos que, todos os dias, fazem da imprensa um serviço público no sentido mais nobre da expressão. A força da APImprensa nasce dessa rede de compromisso, dessa persistência silenciosa e dessa convicção partilhada de que vale a pena continuar.
Assinalar 66 anos é honrar o passado. Mas é, sobretudo, renovar a responsabilidade perante o futuro.
A APImprensa continuará aqui: ao lado dos associados, na defesa do setor, na afirmação da liberdade de imprensa e na construção das respostas de que o jornalismo português urgentemente precisa. Porque defender a imprensa é defender o direito dos cidadãos a serem informados com rigor, independência e pluralismo. E porque, ontem como hoje, não há democracia forte sem imprensa livre e forte.
Parabéns à Associação Portuguesa de Imprensa. Parabéns a todos os associados. Obrigada por fazerem parte desta história e por continuarem a escrevê-la.
A Direção da Associação Portuguesa de Imprensa

