A Noruega tornou-se o primeiro país europeu a instituir um modelo público de Inteligência Artificial que garante uma remuneração direta aos editores de imprensa pela utilização de conteúdos jornalísticos no treino de sistemas de IA.
Um acordo entre o Estado e os editores de imprensa
O modelo foi formalizado em setembro de 2025, através de um acordo entre o Ministério da Cultura da Noruega e a Associação de Empresas de Meios de Comunicação Social da Noruega, prevendo a sua aplicação a partir de 2026.
Trata-se de um enquadramento pioneiro na Europa, que assegura uma compensação financeira aos editores pela utilização das suas notícias no treino de uma Inteligência Artificial pública de âmbito nacional.
O investimento anual ascende a 45 milhões de coroas norueguesas, cerca de 3,93 milhões de euros.
Biblioteca Nacional e Kopinor como pilares do modelo
A gestão operacional do acordo assenta em dois atores centrais. Do lado editorial, a Kopinor, entidade norueguesa de gestão coletiva de direitos de autor e de editores, assume a representação legal e económica dos titulares de direitos, sendo responsável pela distribuição das remunerações.
Do lado do Estado, a execução técnica cabe exclusivamente à Biblioteca Nacional da Noruega, que detém o mandato para desenvolver a infraestrutura de IA bem como a custódia e o processamento dos dados.
O objetivo central é treinar modelos de linguagem em norueguês e em sami, alinhados com os padrões editoriais, a história, a língua e os valores democráticos do país.
Ao invés de recorrer a modelos genéricos treinados com conteúdos recolhidos indiscriminadamente da internet, o Estado aposta numa tecnologia soberana, culturalmente contextualizada e eticamente regulada. Os modelos resultantes serão disponibilizados de forma aberta para utilização pública e privada.
Conheça as principais cláusulas na informação divulgada pelo CEDRO (Centro Espanhol de Direitos Repográficos) e consulte o acordo oficial aqui.

