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Equipa e Direção APImprensa – DNI 2025

Notícias

2026: Construir o futuro da imprensa portuguesa

13 de Janeiro de 2026

Caros Associados,

Neste início de 2026, renovamos o nosso agradecimento pela confiança e participação ativa junto da Associação Portuguesa de Imprensa. Vivemos um período desafiante para os media em Portugal — talvez o mais determinante das últimas décadas — mas continuamos empenhados em apoiar o setor a enfrentar as dificuldades e a transformar as condições atuais em oportunidades de desenvolvimento.

Num tempo em que a sobrevivência e o fortalecimento da imprensa são fundamentais para a democracia e coesão do país, a APImprensa assume um papel claro: representar, capacitar e unir todo o setor.

2026: Um ano decisivo para a imprensa portuguesa

A realidade recente é inequívoca:

65% – Queda do investimento publicitário na imprensa nos últimos cinco anos

O declínio das receitas, o aumento dos custos do papel e da energia e os constrangimentos logísticos colocam em risco a sustentabilidade editorial.

10% – Portugueses que pagaram por conteúdos noticiosos online em 2024

O consumo de informação migra para plataformas sociais e motores algorítmicos, gerando um cenário altamente competitivo e fragilizando o financiamento do jornalismo profissional.

50% – Quebra nas tiragens impressas entre 2018 e 2023

A redução da circulação não tem sido compensada, de forma proporcional, pelo crescimento digital e ameaça especialmente os títulos locais e regionais.

27% – Municípios sem oferta de notícias locais ou com apenas um meio

Os “desertos de notícias” crescem e colocam em risco a coesão democrática, a transparência e o escrutínio público.

1/3 – Publicações exclusivamente em papel

Apesar do avanço digital, o setor mantém iniciativas que necessitam de forte apoio para transição para novos modelos.

Estes indicadores não representam apenas desafios económicos. Representam riscos para o direito constitucional dos cidadãos à informação. Onde a imprensa enfraquece, a democracia fica mais vulnerável. 

Três eixos estratégicos para um setor mais resiliente

A estratégia de atuação da APImprensa assenta em três pilares prioritários:

1. Diversificação

Abertura a parcerias, novos serviços e novas fontes de receita, reforçando a colaboração intersetorial.

Novos parceiros tecnológicos:

🔸 Dengun – Soluções digitais para otimizar operações e modelos de negócio.

🔸 Echobox – Plataformas de automação e otimização de tráfego com IA.

Serviços e alianças atualmente em vigor:

🔸 Visapress – Defesa de direitos, combate à pirataria e remuneração de usos de conteúdos.

🔸 Lusa – Pacotes de serviços noticiosos a preços reduzidos para associados.

🔸 UBI – Estágios académicos para renovar talento e conhecimentos.

🔸 Cenjor – Programas de formação ajustados às exigências do setor.

🔸 CTT / VASP – Protocolos para facilitar e reforçar a distribuição.

Estamos igualmente a trabalhar na dinamização de mecanismos de financiamento, publicidade institucional e no acesso a fundos nacionais e europeus para pequenos editores e consórcios regionais.

2. Inovação e Transição Digital

A modernização do setor é incontornável.

Projetos iniciados em 2025:

🔸 Jornadas Técnicas da Imprensa Regional

Workshops e painéis em Setúbal, Aveiro e Braga, com foco em inovação editorial, estratégias de venda digital e ética jornalística.

🔸 B-Digital Media

Curso gratuito, de 100 horas (Visapress/Google), dedicado às necessidades concretas de imprensa local e regional, com módulos sobre modelos digitais, audiências e plataformas.

🔸 API Next

Novo programa de mentoria, apoiado pelo Google, para apoiar 20 organizações ao longo de dois ciclos de seis meses, com projetos piloto centrados em diversificação de receitas, produtos digitais, IA ética e estratégias orientadas para audiências.

3. Representação

A voz do setor — dentro e fora dos círculos associados.

A APImprensa representa 174 editores, mas o seu mandato é mais amplo: defender todo o ecossistema informativo, incluindo quem hoje não tem meios para se fazer ouvir.

Além do trabalho contínuo junto de reguladores e entidades públicas, o ano de 2025 foi marcado por intervenção ativa em múltiplas instâncias governativas e de consulta pública, incluindo:

Parlamento

🔸 Audiência da 12ª Comissão Parlamentar (14 outubro)

Governo

🔸 Ministério da Presidência – António Leitão Amaro (12 agosto)

🔸 Secretaria de Estado Adjunta e dos Assuntos Parlamentares – Carlos Abreu Amorim (14 março)

Consultas Públicas

🔸 Boas práticas de IA na Comunicação Social – contributo formal da APImprensa (novembro)

🔸 Consulta Pública sobre o Plano Nacional de Literacia Mediática 2025-2029 (fevereiro)

🔸 Consulta sobre revisão do regime de incentivos à comunicação social (DL n.º 23/2015 e Portaria n.º 179/2015) (fevereiro)

Entre as nossas prioridades:

✔️ Garantir aplicação plena da legislação sobre publicitação autárquica e fundos comunitários

✔️ Reformar os modelos de publicidade institucional e compras públicas

✔️ Mitigar as assimetrias na distribuição em territórios de baixa densidade

✔️ Reforçar o diálogo com reguladores, municípios, governos e parceiros associativos

O país precisa de medidas de política pública que assegurem pluralismo, coesão territorial e igualdade de acesso à informação. Não pedimos exceções, mas soluções estruturantes.

Compromisso com o futuro do jornalismo português

A imprensa tem feito o seu papel: consolidou, inovou e resistiu. Mas nenhuma resiliência substitui a necessidade de condições estruturais justas e transparentes.

A APImprensa continuará a trabalhar para:

✔️ Unir grandes e pequenos editores

✔️ Integrar papel e digital

✔️ Reforçar competências e sustentabilidade

✔️ Defender uma imprensa plural, independente e forte

Contamos convosco em 2026. Não apenas como associados, mas como aliados num propósito maior: garantir que, em Portugal, todas as comunidades têm acesso a jornalismo sustentável e independente.

Com os melhores cumprimentos e votos de um ano construtivo e transformador,

A Direção da Associação Portuguesa de Imprensa