A Nebulosa de Orionte, localizada a cerca de 1350 anos-luz da Terra, na direção da constelação com o mesmo nome, é uma região rica em material do qual se formam estrelas. É o berçário estelar com capacidade para formar estrelas de grande massa que se encontra mais próximo de nós. Pensa-se que é um ambiente semelhante àquele em que o Sistema Solar surgiu há mais de 4500 milhões de anos, e estudá-lo poderá revelar informações sobre os primórdios do nosso sistema planetário.

O interior da Nebulosa de Orionte é obscurecido por grandes quantidades de poeira, o que impossibilita a sua observação por telescópios como o Telescópio Espacial Hubble (HST), que observa na luz visível. Mas essa limitação é ultrapassada com o Telescópio Espacial James Webb (JWST), que pode revelar o que está a acontecer no interior da nebulosa, através de observações na banda do infravermelho.

Uma equipa liderada por investigadores do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), da Universidade Paris-Saclay e da Universidade de Western Ontario, e que inclui Sílvia Vicente, colaboradora do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), acaba de revelar as imagens mais nítidas e detalhadas algumas vez obtidas do interior da Nebulosa de Orionte, captadas pelo JWST.

“Estas imagens foram obtidas pelo Photodissociation Regions for All (PDRs4All), um dos programas de observação prioritários do JWST cujo objetivo é testar os seus instrumentos e modos de operação, facilitando uma otimização dos programas de observação seguintes”, esclarece Sílvia Vicente. “No caso do PDRs4All, observamos regiões fotodissociativas, ou seja, zonas de gás neutro e moderadamente quente que se formam sempre que radiação no comprimento de onda do ultravioleta longínquo, emitida por estrelas de muita massa, interage com meios densos de gás e poeira”.

“A Nebulosa de Orionte tem o protótipo destas regiões, a Barra de Orionte, formada pela interação entre intensa radiação ultravioleta de estrelas massivas próximas e a nuvem-mãe da qual se formaram. Tem também muitas estrelas de pequena massa em formação, ainda com os seus discos de gás e poeira, a partir dos quais irão nascer os planetas”, diz Vicente. “Esses discos, que ao serem irradiados pelas estrelas massivas próximas, evaporam e adquirem uma forma de cone de gelado chamada proplyd, são os meus objetos de estudo. A convite de Olivier Berné, um dos investigadores principais do programa, coordeno o grupo de trabalho sobre proplyds, desde o planeamento das observações, à escrita do projeto, e à análise e interpretação dos dados.”

“Estou particularmente entusiasmada com os espectros e imagens que obtivemos, pois, vão permitir compreender melhor o processo de evaporação do gás e como a composição química das proplyds é afetada pela radiação ultravioleta. Por sua vez, isto ajudará a compreender melhor a formação do Sistema Solar, pois sabemos que se formou num ambiente semelhante, perto de estrelas de grande massa”, conclui Sílvia Vicente.

 

Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço