Portugal tem 275 grupos a participar em ativismo climático. Desses grupos, 68 estão focados no tema, 105 incluem as alterações climáticas na sua área de ação, enquanto 102 apoiam algum tipo de ativismo climático, como subscrever um manifesto. As conclusões estão num estudo do projeto científico “JUSTFUTURES – Futuros Climáticos e Transformações Justas: Narrativas e Imaginários Políticos dos Jovens”, coordenado por Anabela Carvalho, professora do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade do Minho. O projeto tem ainda a participação de investigadores do ISCTE-IUL e da Universidade do Porto, sendo financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

“Há efetivamente uma significativa mobilização da sociedade civil portuguesa para a questão candente das alterações climáticas”, realça Anabela Carvalho. Acessível em justfutures.pt, o relatório identifica os grupos que participam em diferentes formas de ativismo climático no país, revelando a sua distribuição geográfica, bem como a sua tipologia, escala de ação, áreas e formas de ação e campanhas. É a primeira vez que se faz este tipo de levantamento.

Por exemplo, todos os distritos estão representados com grupos, nomeadamente em Lisboa, Porto, Braga, Açores e Faro. As principais formas de ação têm sido protestos, manifestações, ativismo digital, performances artísticas, ações de sensibilização e formação, petições e interações com a política institucional.

As campanhas mais citadas foram “Gás é andar para trás”, envolvendo oito associações ambientais contra a ideia mediatizada de o gás fóssil ser “um combustível de transição”; “Linha vermelha”, com o movimento homónimo a exibir um longo fio tricotado em oposição à exploração de gás e petróleo na costa lusa; “Empregos para o clima”, com trabalhadores e ativistas a reivindicar 200 mil empregos em prol do clima e menos 35% de emissões de gases até 2030; e “Caravana pela justiça climática”, com mais de 20 organizações e cidadãos em iniciativas pelo país a denunciar violações ambientais e debater temas como desertificação, incêndios e seca.

Os investigadores do JUSTFUTURES pretendem ainda contribuir para os estudos sobre políticas ambientais e os imaginários políticos dos jovens sobre as alterações climáticas.

 

 

Universidade do Minho