Janeiro 2022

Huntington e a família

2022-01-12T14:44:21+00:00

“Esta é uma relíquia de família que tem sido transportada pelos meus antepassados desde gerações muito remotas”. Foi com esta frase misteriosa que George Huntington deu início, em 1872, a uma das conferências mais marcantes na história da Neurociência. Mas recuemos no caminho percorrido pelo médico norte-americano. George Huntington nasceu em meados do século XIX (1850) numa aldeia em Long Island e seguindo o ofício do pai e do avô ingressou no curso de medicina na universidade de Columbia. Um dia, acompanhando o pai em visita médica domiciliária, Huntington ficou impressionado com os movimentos involuntários de uma doente. Mais tarde, partindo do original grego que significa dança, utilizou o termo coreia para descrever esses movimentos descoordenados. E assim regressamos à conferência de 1872, no Ohio, que o clínico intitulou, precisamente de “On Chorea”. Para além da capacidade de sintetizar as características desta patologia incapacitante, o célebre médico compreendeu tendo em [...]

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O que é a Sociologia?

2022-01-06T14:03:17+00:00

É inescapável: todos e todas estamos inseridos em redes de relações sociais que nos influenciam - e que nós também influenciamos - no que pensamos, no que dizemos e no que fazemos no dia-a-dia. Desde que nascemos, na família. Na escola, entre colegas e professores. Entre os nossos amigos e os nossos vizinhos. Associamo-nos a coletivos de pessoas, uns mais formais (associações, partidos políticos, movimentos sociais, clubes ou igrejas, por exemplo), outros mais informais (o grupo de amigos do futebol ou com quem se praticam outras atividades, a banda musical que se forma, as pessoas do Facebook ou de outras redes sociais com quem se interage, ou os amigos que se encontram regulamente). Integramo-nos em empresas ou em outro tipo organizações de maior ou menor porte para trabalhar, lidando diretamente com hierarquias e relações profissionais. Experimentamos vidas em comum, com amigos, conhecidos, namorados, companheiros. Construímos novas famílias, e várias, ao [...]

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Dezembro 2021

Tempo livre, livre de trabalho e de angústias, um imperativo ético…

2021-12-29T11:45:49+00:00

Vivemos numa era em que o tempo livre assume cada vez mais uma importância acrescida. O significativo aumento médio da esperança de vida, entre muitos outros factores, conduz, sem margem para dúvidas, a um crescente aumento do tempo livre. Mas, o grande problema, na nossa opinião, é que a geração que hoje vive esta realidade, sobretudo o idoso, não foi educada nos princípios do tempo livre, mas sim numa verdadeira sociedade do trabalho, em que o trabalho era o fundamento da vida, pelo que vive, naturalmente, esta situação com uma certa angústia. É, pois, fundamental que a sociedade de hoje prepare as nossas crianças e os nossos jovens para esta nova realidade social, qual seja a emergência do tempo livre. O final do séc. XIX, verdadeiro século do trabalho, exigia do homem trabalhador verdadeiras jornadas de trabalho. Horas e horas, semanas e semanas de verdadeiro trabalho. Não existia, ou, pelo [...]

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As estrelas para cada Natal

2021-12-28T11:50:56+00:00

A confissão de Miguel Torga, em São Martinho da Anta, onde se refugiava, para o grande debate interior, à procura dos caminhos para iluminar a esperança, transpor as contrariedades que nos tornam vulneráveis e construir um futuro de justiça e de solidariedade humana.   Por António Valdemar *   O Natal de 2021 encerra mais um ano repleto de surpresas. Tivemos de rever e adiar as nossas prioridades e escolher outras. As incertezas e as expetativas dominantes obrigam-nos a pensar acerca do modo como devemos estar atentos em face da realidade quotidiana. É mais do que evidente que as incertezas geram ansiedade crescente e causam as maiores preocupações. Mas a adversidade também obriga a ultrapassar a rotina e a sair do marasmo. Estimula a energia para enfrentar o medo, vencer a insegurança e ultrapassar indecisões. Para cada terra o seu Natal. Enquadra-se nos usos costumes e tradições locais e tem [...]

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Antigo Convento do Carmo em Lisboa revelado em 3D

2021-12-20T12:20:52+00:00

Como era a igreja do Convento do Carmo, em Lisboa, antes do terramoto de 1755? Uma equipa europeia liderada pela Universidade do Minho apresentou uma aplicação móvel e um livro que permitem ver o invisível. Por exemplo, "reconstroem" o templo, mostram o interior das colunas e simulam efeitos de um eventual sismo. O objetivo é servir o público, apoiar técnicos nesta área e replicar a inovação em monumentos pelo mundo. Engenheiros, arqueólogos, arquitetos e historiadores de arte vão assim divulgar os resultados do projeto científico Heritage Within, que nos últimos dois anos juntou a Escola de Engenharia da Universidade do Minho, o Conselho Superior de Investigações Científicas de Espanha (CSIC), a Universidade Politécnica de Madrid e o Conselho Nacional de Investigação de Itália, sendo financiado pelo Programa Europa Criativa, da UE. "O cidadão vai ver além da superfície, sabendo como cada coluna foi construída e qual a sua composição, pois [...]

Antigo Convento do Carmo em Lisboa revelado em 3D2021-12-20T12:20:52+00:00

O Natal é para todos, mas Feliz só para alguns

2021-12-17T16:36:32+00:00

A imagem que nos tem sido transmitida há anos é que o Natal tem de ser Feliz. Não é por acaso que o principal voto natalício das várias línguas do mundo corresponda a: Feliz Natal! Nesta época festiva, em filmes, músicas, publicidades e publicações nas redes sociais reinam os motes de felicidade, amor, família e união. E se fecharmos os olhos, a nossa subconsciência leva-nos imediatamente para perto de uma árvore de Natal alta, lindíssima, coberta de bolas douradas e estrelas brilhantes. As suas luzes refletem nos olhos das crianças, sorridentes e vestidas de forma elegante. A casa está cheia de pessoas de várias idades, onde todos sabem o seu lugar, o seu papel e o seu valor. A mãe é bonita, perfeitamente maquilhada, nada cansada dos preparativos natalícios. A mesa está recheada de pratos tradicionais, mas servidos com toque gourmet. A música natalícia toca, os sinos intensificam a emoção, [...]

O Natal é para todos, mas Feliz só para alguns2021-12-17T16:36:32+00:00

Entrelaçados nas redes da beatitude

2021-12-06T13:24:41+00:00

“Espelho meu, espelho meu, existe alguém mais belo do que eu?” Todos nos lembramos tão bem desta famosa frase do conto da Branca de Neve. Porquê? Talvez porque se mantenha atual, embora nos dias de hoje o espelho tenha sido substituído pelas redes sociais. A Rainha Má precisava de afirmações constantes da sua beleza e grandeza, e nós, o que nós queremos ver refletido no espelho? Beleza física, um corpo perfeitamente disciplinado e, sobretudo SEM IDADE ou com uma idade somente, JOVEM. Isto a ser obtido a todo o custo, nem que seja apenas uma ilusão de parecer como tal. Mas atenção que é um beco com uma saída só, pois a natureza cumpre o seu ciclo e reclama os seus direitos inquestionáveis como as antropológicas fases da vida, desde o início até ao fim. O processo de envelhecimento tão indesejado dentro da nossa cultura tem poder. O poder dos [...]

Entrelaçados nas redes da beatitude2021-12-06T13:24:41+00:00

Novembro 2021

A astronomia no tempo de D. Dinis

2021-11-17T17:08:08+00:00

Quando o rei D. Dinis (1261-1325, rei em 1279) criou, em 1 de Março de 1290, o «Estudo Geral» em Lisboa, iniciando o que é hoje a Universidade de Coimbra, já o reino português levava 147 anos. O que se passou de mais importante na astronomia nesse quase século e meio? Ao contrário do que é corrente, a Idade Média está longe de ter sido uma «noite de dez séculos». A ciência astronómica foi sempre avançando, embora mantendo a cosmovisão aristotélica, adoptada por Ptolomeu, na qual a Terra estava no centro do mundo e os cinco outros planetas então conhecidos – Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno – circulavam à volta da Terra. A Divina Comédia, do italiano Dante Alighieri, escrita entre 1308 e 1320 e publicada em 1472, apresenta esse modelo aristotélico-ptolomaico, com os planetas em circunferências concêntricas. Para explicar os retrocessos dos planetas do céu, foi preciso criar, [...]

A astronomia no tempo de D. Dinis2021-11-17T17:08:08+00:00

Outubro 2021

Coleções Asiáticas do Museu da Farmácia

2021-10-22T11:06:38+00:00

Foi no século XV que os portugueses chegaram pela primeira vez ao continente asiático. A dobragem do conhecido “Cabo das Tormentas” no ano de 1488, pelo navegador Bartolomeu Dias, assumiu-se como um dos primeiros passos na construção daquelas que seriam as rotas marítimas e comerciais a estabelecer a Oriente. Em primeira instância, a chegada de Vasco da Gama a Calecute, dez anos depois, assinalou a concretização de um projeto há muitos anos ambicionado pela Coroa Portuguesa. Seguiu-se Malaca, por Diogo Lopes de Sequeira, que atravessara o golfo de Bengala, aproximando-se do sudeste asiático, e ainda Fernão de Magalhães, que viria a fazer a primeira viagem de circum-navegação, ao serviço de Espanha, e a qual este ano celebra os 500 anos da sua concretização. Também o Reino de Sião, hoje conhecido por Tailândia, Timor, entre outras ilhas, foram percorridas até à chegada de Jorge Álvares, em 1513, ao Rio das Pérolas, [...]

Coleções Asiáticas do Museu da Farmácia2021-10-22T11:06:38+00:00

D. Nuno Álvares Pereira – O Combatente na Arte

2021-10-20T10:31:44+00:00

Por Ana de Albuquerque (editora)   Não nos vamos alongar na biografia deste personagem único da nossa história. Camões refere-se a ele como “o forte Nuno” e este valente guerreiro nasceu a 24 de Junho de 1360 e morreu a 1 de Novembro de 1431. Considerado um dos maiores estrategas da história militar, é o patrono da Infantaria portuguesa e a ele se deve a Técnica do Quadrado e as lendárias batalhas de que falaremos mais adiante. Fidalgo de longa linhagem, de uma retidão moral exigente, queria manter-se casto mas casou aos 16 anos com Leonor Alvim, de quem teve dois filhos. Após a morte de sua mulher, entra para a Ordem Carmelita, tomando o nome de Irmão Nuno de Santa Maria. Curiosamente, é o padroeiro do Corpo Nacional de Escutas e foi canonizado pelo Papa Bento XVI em 2009. Nessa ocasião, a Conferência Episcopal Portuguesa afirmou: «(…) o testemunho [...]

D. Nuno Álvares Pereira – O Combatente na Arte2021-10-20T10:31:44+00:00
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