Elementos da Unidade de Neuropsiquiatria da Champalimaud Research e do Centro Clínico Champalimaud (CCC) estiveram recentemente envolvidos em vários estudos observacionais para examinar como a Depressão Resistente ao Tratamento (DRT) pode afetar a vida daqueles que sofrem desta condição surpreendentemente comum.

Cerca de 15% das pessoas irão, em algum momento das suas vidas, desenvolver Perturbação Depressiva Major (PDM), para o qual existem várias opções de tratamento. No entanto, numa perspetiva conservadora, estima-se que 20% dos doentes com PDM não respondem bem ao tratamento. Traduzindo esta percentagem para um rácio, significa que pelo menos uma em cada 66 pessoas será classificada como portadora de Depressão Resistente ao Tratamento (DRT), por ter um episódio depressivo que não responde a, pelo menos, duas formas diferentes de tratamento disponíveis. Esta realidade coloca uma enorme pressão – tanto social como económica – sobre os doentes, as suas famílias, as unidades de saúde que os tratam e a sociedade em geral. Estes estudos recentes procuraram quantificar a realidade desta situação.

Os referidos estudos, patrocinados pela Janssen EMEA, recrutaram uma amostra de 411 doentes elegíveis, provenientes de sete países europeus, que estavam prestes a começar o tratamento para a DRT (ou seja, não haviam respondido à terapêutica, após duas linhas de tratamento diferentes). Foi realizada uma avaliação para aferir a forma como a DRT afetou a sua qualidade de vida em diversas áreas, nomeadamente a nível profissional, entre outros fatores. Os resultados foram claros, embora não surpreendentes: o impacto que a DRT tem nos doentes é muito elevado, com relatos de prejuízo funcional substancial e redução da qualidade de vida. Para além disso, os tratamentos realizados durante o estudo foram, para a maioria dos doentes nos diversos centros que participaram, muito ineficazes, provocando pouca ou mesmo nenhuma melhoria ao longo do tempo.

Muitos dos doentes envolvidos neste estudo, em Portugal, encontravam-se em acompanhamento no Centro Champalimaud. O Dr. Albino Oliveira-Maia, Diretor da Unidade de Neuropsiquiatria do CCC e Coordenador Nacional do estudo em Portugal*, falou-nos sobre as principais conclusões: “Os resultados deste estudo, embora esperados, evidenciam que existe uma necessidade real para investigar e desenvolver tratamentos para os doentes que sofrem de DRT, e um entendimento de que esta é uma preocupação muito mais comum e urgente do que muitos imaginam.”

Os dois estudos que já foram publicados estão já disponíveis (ver em baixo), com um terceiro atualmente em revisão, mas cuja publicação é esperada para muito breve:

http://public-files.prbb.org/publicacions/c84be020-4c0d-0139-72aa-00155df14f0e.pdf

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0165032721003086

 

Hospitais que participam em Portugal:

Alcafache, João: Centro Hospitalar do Baixo Vouga, E.P.E. – Unidade de Aveiro

Bessa, João: Hospital de Braga

Fonseca, Sofia: Centro Hospitalar de Leiria

Freitas, João: Hospital Magalhães Lemos, EPE

Lara, Elsa: CUF – Infante Santo;

Macedo, António: Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra E.P.E – Hospitais da Universidade de Coimbra

Oliveira-Maia, Albino J.: Fundação Champalimaud

Pires, Ana Matos: Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, EPE

Serra, Madalena: Hospital Espírito Santo, EPE

Von Doellinger, Orlando: Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, EPE – Hospital Padre Américo, Vale do Sousa

 

Artigo: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/pon.5730

 

 

Fundação Champalimaud