PROTECÇÃO DE DADOS: Editores pedem revisão do projecto da União Europeia

Publicada há 3 meses atrás (Quinta-feira, 08 de Junho de 2017)

Mais de três dezenas de editores de imprensa europeus reclamam, em carta aberta, a revisão do projecto de Bruxelas sobre dados pessoais – que, segundo eles, ameaça o seu modelo económico nas publicações on line.
O projecto, em fase de discussão, que substituirá a actual directiva “ePrivacy”, permitirá a cada internauta decidir, desde a sua primeira ligação, qual o nível de protecção que deseja para o conjunto de sites que irá visitar de seguida. Por isso, decidirá apenas uma vez se aceita ou não os “cookies”, em lugar de o fazer site a site.
Segundo os subscritores da carta aberta, este projecto “priva os editores de imprensa da capacidade de informar cada um dos leitores sobre as razões pelas quais o seu consentimento é solicitado, de explicar as vantagens de conteúdos jornalísticos e de marketing personalizado e de lembrar a importância da assinatura e da publicidade no modelo económico de uma imprensa de qualidade”.
Os 33 editores que subscrevem a carta aberta (entre os quais estão Le Monde, Le Figaro, Les Echos, Libération, Le Parisien, La Croix, L’Equipe e L’Humanité) acrescentam que ao impedir os editores de propor publicidade aos seus leitores, a nova directiva “favorece a reorientação dos anunciantes da imprensa para as plataformas numéricas dominantes e assim diminui o investimento no jornalismo de qualidade”.
O texto deplora também “uma concentração dos dados dos cidadãos nas mãos de algumas empresas mundiais”.
O Sindicato da Imprensa Diária Nacional de França (SPQN), que está na origem desta iniciativa, divulgou um comunicado solicitando a revisão do projecto ePrivacy. Nele referem que a imprensa nunca teve tantos leitores como agora, graças ao seu desenvolvimento digital, mas que só será possível o aparecimento de um modelo de negócio da imprensa digital “se os editores puderem conhecer os leitores e desenvolver uma relação directa com eles”. O comunicado acrescenta que a recolha de dados anónimos “permite às redacções conhecer melhor os objectos de interesse editorial de cada leitor e desenvolver ofertas de conteúdos adaptados”.
O comunicado do SPQN sublinha ainda que é essencial enviar aos internautas publicidade direcionada, “portanto útil e aceitável”. E conclui:
“É por tudo isto que a imprensa europeia considera indispensável, para poder desempenhar o seu papel de informação, que ePrivacy seja objecto de uma profunda revisão”.