Imprensa centenária com apoio no Parlamento para Património Cultural da Humanidade

Publicada há 3 meses atrás (Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018)

A candidatura da Imprensa Portuguesa Centenária a Património Cultural Imaterial da Humanidade, mereceu unânime apoio expresso dos representantes dos Grupos Parlamentares que hoje (quarta-feira), participaram numa conferência que decorreu na Assembleia da República.
Esta candidatura foi uma vez mais defendida hoje por João Palmeiro, Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, e secundada por Edite Estrela, Presidente da Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto – as duas entidades promotoras da conferência parlamentar que hoje decorreu, durante a manhã, no Auditório Almeida Santos, com a presença de dezenas de pessoas, muitas delas representantes dos 32 jornais portugueses que se publicam há mais de um século, ininterruptamente. Edite Estrela referiu que a proposta da API mereceu já o apoio expresso do Presidente da República, e que o Parlamento certamente lhe concederá também igual apoio. E, de facto, os representantes dos diversos Grupos Parlamentares, que depois usaram da palavra, consideraram essa proposta plenamente justificada e garantiram que ela seria apoiada pelas respectivas forças políticas. Os representantes partidários foram ainda unânimes em destacar o papel fundamental da Imprensa como esteio da democracia e seu garante, tendo felicitado os jornais centenários e elogiado a API pelo trabalho que vem desenvolvendo na defesa de um sector essencial nas sociedades contemporâneas, mas que actualmente atravessa uma crise complexa.
João Palmeiro sublinhou ser este o Ano Europeu do Património Cultural, mas também o Ano Português da Imprensa, com o nosso País a ser palco de uma Cimeira dos Media (“Media Summit”), entre os dias 30 de Maio e 8 de Junho próximos, que inclui dois congressos mundiais (o da WAN-IFRA, em Cascais, e o da GEN, em Lisboa). Nestes dois congressos espera-se a participação de cerca de dois mil editores e directores de informação, incluindo os responsáveis pelos mais importantes órgãos de comunicação de todo o Mundo, o que torna Portugal no centro mediático a nível planetário, numa altura em que se buscam soluções para o futuro dos media. João Palmeiro referiu ainda ter proposto que deixe de ser utilizada, internacionalmente, a designação de “notícias falsas” (“fake news”), passando a usar-se antes a de “notícias manipuladas”, uma vez que isso reflecte melhor esse fenómeno de desinformação. Sublinhou ainda que, actualmente, o mais importante é a confiança que os media merecem por parte do público, tendo citado o mais recente estudo do Reuters Institut (Universidade de Oxford), relativo a 2017, onde Portugal aparece em 3.º lugar (a seguir à Finlândia e ao Brasil) na lista dos países onde os jornais merecem maior confiança por parte das populações. Uma confiança, disse João Palmeiro, que vem de longe, e que permitiu que haja dezenas de jornais portugueses que se publicam há mais de um século, tendo sobrevivido às guerras, às crises, a todas as vicissitudes.
Para além das intervenções políticas, foram apresentadas comunicações com abordagens diversas sobre a imprensa centenária de Portugal.
Assim, Carlos Correia, docente da Universidade Nova de Lisboa, falou do momento de transição que hoje se vive entre o analógico e o digital, o local e o global, criando um fenómeno que designou por “glocal”. Irene Tomé, docente da mesma Universidade, aludiu às relações entre os movimentos associativos e a imprensa ao longo da História recente. O jornalista e investigador António Valdemar fez uma detalhada exposição ilustrada sobre a história da imprensa centenária portuguesa e as suas mais destacadas figuras ao longo dos tempos. O Presidente da Academia das Ciências, Artur Anselmo, relatou alguns episódios curiosos sobre a colaboração de Camilo Castelo Branco num dos mais antigos jornais portugueses, o “Aurora do Lima”, de Viana do Castelo.
A conferência parlamentar terminou com uma intervenção sobre a importância dos direitos de autor, por Carlos Eugénio, director executivo da Visapress.
Da parte da tarde foi inaugurada, nos corredores da Assembleia da República, uma exposição documental sobre a imprensa portuguesa centenária, que ficará patente até ao próximo dia 16 de Março.
Esta exposição esteve já no Parlamento Europeu, em Bruxelas, na Universidade de Aveiro e na Região Autónoma da Madeira.