Comunicado - COVID-19 O impacto para o sector da Imprensa

Publicada há 2 semanas atrás (Sexta-feira, 20 de Março de 2020)

Estamos a acompanhar, a par e passo, as decisões do Governo e as suas implicações para o desenvolvimento da nossa actividade, que continuamos a reputar como sendo cada vez mais importante para informar os nossos concidadãos neste tempo de crise nacional causada pela pandemia do Covid-19.

Os dados que já conseguimos recolher junto de vários associados é bem representativo do panorama nacional do nosso sector. Cerca de 1/5 dos postos de venda de publicações periódicas encerraram neste período, o que terá inevitavelmente alguma diminuição das vendas de jornais e revistas. Mas também foi constatado nalguns pontos de venda em Lisboa que se registaram mais vendas de exemplares, o que naturalmente se justifica pela procura de informação séria, segura e jornalisticamente editada.

Contudo, foi registada uma generalizada diminuição da publicidade por parte do comércio local, ou porque encerraram as suas atividades ou porque foi diminuída a sua capacidade económica ou ainda porque alguns cidadãos já se remeteram a alguma autocontenção nas suas casas. Esta situação afeta naturalmente mais a imprensa de proximidade.

Com a saída da regulamentação do Estado de Emergência, os únicos constrangimentos que podem acontecer irão decorrer de doença dos trabalhadores da distribuição (como os próprios CTT já reconheceram), encerramento voluntário de pontos de vendas ou medidas de contenção sanitária como aconteceu recentemente no município de Ovar. De resto não vemos nenhuma medida que impeça o normal funcionamento de gráficas e das distribuidoras de publicações.

As nossas associações entregaram ao Governo, logo que foi decretado o Estado de Alerta, uma série de proposta de caráter fiscal que permitiriam de uma forma simples e quase imediata alguma melhoria das condições da atividade. Aguardamos como as mesmas se integram no âmbito das medidas anunciadas para apoiar as empresas, embora o setor não tenha sido especificamente mencionado. Como a grande parte dos editores de publicações periódicas são micro, pequenas ou médias empresas, acreditamos que será possível também por esta via encontrar soluções para assegurar a continuidade da atividade de edição de jornais e revistas.

Mas continuar, ativamente, a manifestar junto do Governo as nossas posições para que sejam tomadas medidas para o nosso sector, neste tempo de crise. E isso não deixaremos de fazer, nenhum dia, enquanto durar o Estado de Emergência. Oxalá tenhamos sucesso, em nome do futuro da imprensa.


João Palmeiro
Presidente da Direção da Associação Portuguesa de Imprensa
Paulo Ribeiro
Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa Cristã