Bruxelas ficou a conhecer jornais centenários portugueses

Publicada há 4 meses atrás (Sábado, 15 de Julho de 2017)

“O encerramento de um jornal centenário é uma perda para a Humanidade equivalente ao desaparecimento de uma pirâmide do Egipto” – afirmou em Bruxelas João Palmeiro, Presidente da API (Associação Portuguesa da Imprensa), durante a abertura da exposição, no Parlamento Europeu, dos 31 títulos centenários da imprensa portuguesa.
Promovida pela API, com o apoio de alguns eurodeputados (com destaque para José Manuel Fernandes e Sofia Ribeiro) e da AIIC (Associação de Imprensa de Inspiração Cristã), a exposição foi oficialmente inaugurada na quarta-feira, dia 12, tendo encerrado nesta sexta-feira.
Na cerimónia inaugural participaram eurodeputados de diversos partidos, representantes dos 31 títulos centenários e dirigentes e funcionários da API e dirigentes da AIIC.
Na sua intervenção, o eurodeputado José Manuel Fernandes sublinhou a importância da imprensa centenária portuguesa (que inclui jornais nacionais e regionais), tendo afirmado:
“Estes jornais centenários dizem muito da nossa alma, das nossas raízes, da nossa força, do que é ser português, da resistência ao longo dos tempos. Temos aqui a nossa história e também a nossa diversidade”.
O eurodeputado disse ainda que “estes jornais contribuem para os valores da União Europeia, para a democracia, para a liberdade, para a solidariedade e dão voz aos territórios”, acrescentando que “é uma das formas de promovermos a coesão territorial, de combatermos o centralismo”.
José Manuel Fernandes teve palavras elogiosas para “os que se dedicam a dar o melhor de si” para que as notícias sejam transmitidas também pela diáspora portuguesa. E revelou que momentos antes, numa reunião com directores e administradores das publicações e dirigentes da a API e da AIIC, assumira o compromisso de propor a criação de um projeto piloto para a “sustentabilidade e desenvolvimento” daqueles órgãos que tenha em conta também a “promoção dos valores da União Europeia”. “É um proposta que os deputados podem fazer. Seria importante vermos como é que a imprensa local pode dar as mãos e unir-se em termos europeus para promover os nossos valores e divulgar o nosso território e as nossas forças. Não tenho dúvidas que a imprensa local é um valor acrescentado em termos da União Europeia”, salientou o eurodeputado, concluindo:
“Apesar de todas as novas tecnologias, estou certo de que continuarão também no papel a divulgar os nossos territórios e a contribuir para o sucesso da União Europeia e para um valor essencial que é a paz e outro a solidariedade”.
Usando a seguir da palavra, o Presidente da API sublinhou que “o mundo digital é o mundo do desafio, mas sem nos esquecermos que o mundo do papel é tão importante como o digital”, considerando que “o pluralismo e a diversidade dos media portugueses” estavam bem evidentes naquela exposição.
Uma exposição que, referiu João Palmeiro, se insere no propósito da AIP de apresentar uma candidatura à UNESCO para reconhecimento da imprensa centenária portuguesa como Património Cultural Imaterial da Humanidade. “É que existe uma maneira portuguesa de fazer jornalismo e editar jornais e essa maneira ultrapassa as fronteiras do nosso país e está espalhado por todo o mundo há muitos anos”, referiu o Presidente da API.
Aquele responsável acrescentou ontem na visita à Comissão Europeia que é preciso perceber que quando uma destas publicações deixar de ser editada é o mesmo que “demolir a Torre de Belém ou a igreja da terra”.
O presidente da AIP destacou ainda a credibilidade dos órgãos centenários. “Temos com estes jornais, pelo menos cem anos de credibilidade, a atestar”, frisou.
No âmbito da exposição foi entregue a cada um dos eurodeputados presentes um exemplar de uma publicação editada pela API, com a relação e a síntese histórica dos títulos centenários, bem como um catálogo da exposição, em inglês.
Durante a permanência em Bruxelas, os representantes dos órgãos centenários almoçaram com os eurodeputados Sofia Ribeiro e José Manuel Fernandes, tiveram um encontro na Embaixada de Portugal com representantes da comunidade portuguesa na Bélgica e visitaram o Comité Económico e Social Europeu, onde assistiram a uma apresentação por Gonçalo Lobo Xavier, vice-presidente daquele organismo.