Barómetro API sobre o Impacto da Pandemia no sector

Publicada há 5 meses atrás (Terça-feira, 21 de Abril de 2020)

O momento que vivemos exige reflexão, o que leva a APimprensa, neste primeiro momento de ajustamento a este novo normal, a inquirir as diferentes empresas para perceber
1) em que contexto atuam e as especificidades da sua atividade,
2) a forma como lidam com o acesso à informação, em particular o acesso à informação sobre a covid-19.
Os relatórios que se anexam analisam dados resultantes da inquirição a cerca de 40 publicações portuguesas, a maioria delas títulos de imprensa local, mas também marcas de alcance nacional.
Fruto do ajustamento das publicações ao cenário do coronavírus, que, em Portugal, dura há sensivelmente um mês (o primeiro caso registado de coronavírus em Portugal data do dia 2 de Março de 2020), as publicações que foram auscultadas estão já a diminuir a dimensão das suas edições (número de páginas) e um grande número destas publicações analisadas irá também diminuir o volume de tiragens.
A justificação parece ser apenas uma: contenção de gastos e de recursos, num momento em que grande parte da população está confinada ao espaço doméstico e em que as fontes de receita parecem definhar ainda mais.
No que respeita ao coronavírus enquanto elemento crucial do atual agendamento, existe uma tendência maior para se considerar ser fácil a obtenção de informação sobre a COVID-19 nas diferentes regiões onde atuam as publicações. No entanto, algumas dificuldades são registadas, nomeadamente o desconhecimento pormenorizado/segmentado das fontes (mais respondido), o desconhecimento dos interlocutores, e as dificuldades técnicas.
Enumeram-se ainda outras questões, como a falta de colaboração das entidades de saúde locais, a falta de informação e a sua chegada tardia, o condicionamento da informação, entre outros.
A grande maioria dos inquiridos está ainda interessada em partilhar informações com outras publicações e em partilhar em agrupamentos de publicações para obter publicidade ou patrocínios, numa altura em que a obtenção de receitas se tornou num processo ainda mais complexo.
Para além da receita publicitária, também as vendas em banca da grande maioria das publicações analisadas diminuíram. Por contraponto, em resultado da menor procura de conteúdos no formato físico, representado na queda das vendas em banca em pleno Estado de Emergência, a atividade das publicações analisadas ajusta-se no sentido da sua orientação para o digital, embora nem todas as publicações analisadas, muitas delas de cariz regional, tenham ainda atividade online.
Por último, e apesar da envolvente extremamente negativa que circunscreve a atividade da imprensa, apenas uma minoria das publicações analisadas pediu algum tipo de ajudas ao Estado. Tal ficará a dever-se ao facto de as principais medidas de apoio aos media não terem ainda sido definidas para fazer face às consequências do coronavírus – no atual momento, as grandes linhas de crédito são orientadas para a restauração, para o turismo e para a indústria.